Janelas e Quintais

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Espia!

Tudo isso me faria feliz. Absurdos me fariam feliz.

1268849033650_fFoto: http://www.fotolog.com.br/moncoeur

- Fazer curso de corte e costura;

- Trabalhar em uma floricultura ou banca de frutas no Mercado Central;

- Passar uma semana na casa da minha tia no interior, com direito a missa de domingo e quermesse na praça;

- Comer algodão doce no parque municipal às 3 da tarde;

- Visitar minha única tia-avó viva em sua casa quase centenária e tomar café com o bolo de nozes incrível que ela faz;

- Passar o fim de semana pintando as paredes da minha casa. Uma de cada cor;

- Adotar um cachorro e batizá-lo de Januário;

- Entrar em todas as lojas da Galeria do Ouvidor, comprar uma peça em cada uma e depois montar bijous improváveis;

- Voltar pro balé, só que na turma infantil;

- Trabalhar em uma biblioteca;

- Trabalhar na biblioteca onde uma linda amiga de outras vidas trabalha e poder passar horas por dia com ela;

- Fazer o curso de Letras na Federal. De manhã;

- Nadar na piscina do colégio onde cursei o primeiro grau;

- Encontrar alguém que me conheceu na infância, que eu não me lembre e que me conte coisas sobre mim que não sei;

- Fazer um almoço de páscoa em um lar de idosos com direito a bacalhoada, mesa de carteado e bailinho ao som da vitrola tocando vinis;

- Visitar a França tendo minha mãe como guia turístico;

- Passar um dia inteiro só agindo, sem pensar;

- Passar um dia inteiro só pensando;

- Convencer todas as pessoas que eu amo a morar na mesma rua;

- Ter sessão de análise de segunda a sexta;

- Trabalhar em um antiquário e brechó;

- Ler um livro inteiro num banco de praça;

- Percorrer o nordeste inteiro de carro com ele;

- Abraçar o mundo com as pernas;

- Conseguir realizar pelo menos uma dessas coisas.

 

Comentário(s):

Frede (medieval) escreveu em 03/04/2010 @ 22:54

- Corte e costura lembra a vovó Olívia, quando ainda érmos bem novinhos, ela com aqueles óculos de hastes grossas, com cara de professora normalista, um sofá que imitava couro e a velha máquina de costura movida por pedais.

- Floricultura e banca de frutas lembra nossa infância e adolescência, mercado de Santa Tereza, dinheiro juntado do lanche para mandar aquele buquê para aquela que fosse o grande amor da época

- Tia Dalila segunda mãe, exigente com os estudos, não aceitava nota menor que 80 no fim do bimestre. Mãezona às vezes careta às vezes liberal, ficou brava quanto furei a orelha aos 11 anos, mas quando eu tinha 14 foi comigo na farmácia (drogaria Iara na Pompéia) para que eu furasse as duas, nem ligava para os meu cabelo que foi verde na adolescência, nem para minhas calças rasgadas. Quanto à missa ela ainda é cristã, se soubesse que fiquei descrente acho que ficaria brava como nos velhos tempos.

- Parque Municipal, vagas lembranças, carrossel, carrinho bate-bate, meu pai vivendo só para nós quando ainda éramos crianças.

- Tia Antônia, velha bibliotecária, do bolo de nozes não dá a receita, tem uma risada sonora como a do vovô Zezé, o grande mestre, meu avô, meu amigo, fazia bodoque, mágica e máscara do zorro de papel, espada de madeira, falava latim, francês, escrevia sonetos e admirava as luzes do ocaso.

- Nisso aí eu te ajudo kbça e podemos sujar um ao outro de tinta, fazendo bagunça, tipo naquele filme dos anos 80 lembra? “Namorados por acaso” com aquela fala clássica: “você pode ser amada por mim, eu posso ser amada por você”

- Cachorros, seres fantásticos! A primeira que eu lembro é da estrela, acho que eu tinha uns 4 anos. Penélope, a vovó não gostava dela, quando levaram embora doente ela descobriu que gostava e chorou. Mel chatinha e bagunceira. Ká, Gita, ótimas. Boris “the best” e chacau o atual, meio lobo, meio cachorro, the wild.

- Galeria do Ouvidor, uns 10 ou 12 anos, pastel de carne e Coca Cola com a Tia Dalila. Uns 15 ou 16, vender os livros antigos para comprar os da nova série da escola.

- Balé, kbça pequeninha, vestida de bonequinha, Joaquim, Santa Efigênia, Tia Dalila vestida de bailarina, era a mulher mais linda do mundo.

- Qualquer uma né kbça, qualquer biblioteca mesmo, já pensou uma bem charmosa, tipo aquelas européias, à meia luz, com luminarizinhas verdes.

- Federal, o mito, mas lá dentro vemos que não é tão mitológica assim, há gente como a gente, gente boa e gente ruim, séria e picareta, alunos e professores. Mas, você já é uma literata né kbça, e será a melhor aluna da letras, não pelas notas, mas pelo seu espírito poético.

- Aquela piscinona do Instituto, nadei lá poucas vezes já fazem quase vinte anos. Que saudade!! Principalmente de ver o Central Shopping sendo construído rsss.

- Lembrei da Dulcimar, minha professora da quarta série. Tive também outras marcantes: Marilda, Cleusa, Patrocínia. No Arnaldo: Rogério, Abdala e Paulo, por sinal foi na aula do Paulo, acredite se quiser, aula de ensino religioso, que assisti grandes filmes como “Os últimos passos de um homem” e aquele que se tornou meu filme de cabeceira “SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS” Oh Capitan, my capitan!!!!

- Me lembrei de um filme dos anos 80, não lembro o nome, um casal de namorados adolescentes vai a um asilo e levam Cocoon para assistir com os velhinhos. Adoro gente idosa, uma amiga quando contei isso me disse: “São gente como a gente”. Discordo, eles possuem o que não possuímos e que só alcançaremos quando estivermos lá, bem pertinho do fim. Clarevidência, experiência, legado, sabedoria, tudo aquilo que eu queria ter tido maturidade para aprender com o vovô Zezé e com a vovó Olívia. Quem dera que eles estivessem vivos agora.

- Visitar a França seria legal de mais, morar lá uns tempos, visitar o Louvre. O Saulo adora aquela torre, a tal Eifel. Sei o significado dela, mas não me atrai nem um pouco. Prefiro o Louvre, e Notre Dame então, com seus pórticos medievais, pertinho do Sena. Seria ótimo ter a mamãe como guia e falando da história dos lugares para ela enquanto ela me mostrava.

- Nú!!! Eu também kbça, em ocio total, comtemplando, pensando, escrevendo poesia, vendo filme, encontrando pessoas que amamos.

- O outro dia seria Carpe Diem total, atravessar quatro estados brasileiros, tocar o bife no piano, escrever uma poesia, uma sinfonia, ser extraordinário por um dia.

- Precisaríamos de uma rua gigantesca, seria o máximo. Veria a mamãe todo o dia, tomaria vinho com o Saulo, conversaria com o papai, tocaria violão com tio João, ouviria a Dani tocar violino, tomaria um lanche com todos os primos, bateria papo com o Renan, veria um filme com você, ouviria a Juju cantar, vixi o dia teria de ter um zilhão de horas.

- Com um psicólogo igual aquele do filme “Gênio indomável”, interpretado pelo Robin Willians. Lembra?

- Seria demais, roupas antigas, móveis antigos, história não nos livros mas em artefatos repletos de sentimentos de uma época.

- Ler um livro inteiro num banco de praça, vários livros, ter tempo para ler e aprender tudo que queremos, para nos dedicar a fundo a tudo os que nos fascina, ou seja, poder viver uns 500 anos.

- Eu percorria de Haley, tipo em Diário de Motocicleta e chamaria o Renan para me acompanhar na aventura.

- Dar a volta ao bundo abraçar a vida em todo o seu explendor.

- Conseguir realizar pelo menos uma dessas coisas. Seria incrível!!!

Te amo kbça. Seus textos sempre me inspiram e me dão esperança.

Milene escreveu em 31/07/2010 @ 12:50

Eu quero metade de tudo isso. Especialmente nadar na minha escola de primeiro grau. Como assim eu me esqueci do tanto que eu gostava e nunca era sufuciente?
Você é uma luz!
Beijos
Mi




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