Janelas e Quintais

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Acordei às 8h30 neste sábado chuvoso. Para acordá-lo, ele precisava sair cedo. E saiu.

Estou ouvindo um bolero do Caetano Veloso e isso deixa ainda mais melancólica a chuva que continua a cair lá fora. E aqui dentro.

Cedo fui fazer compras de dona de casa, apesar de não o ser. Fui lá embaixo na favela. Digo isso sem preconceito algum e com grande carinho. É que semi-morar (entendem isso?) perto do morro tem algumas peculiaridades que me agradam muito.

A padaria, por exemplo, é à moda antiga. Lá ninguém entra e vai pegando o que quer, com a cara amarrada de quem perdeu o prazer em acordar num sábado. Não. Essa padaria nos obrigada a recuperar a gentileza perdida nos tempos modernos e dar bom dia, pois qualquer coisa só chega às nossas mãos pelas mãos da balconista.  Realmente a verdadeira delicadeza nasce na simplicidade.

(Ele acaba de ligar e dizer que só vem para almoçar ás 15h, ou mais. Vou ler e dormir, depois cozinhar.)

Enquanto esperava a minha vez, observei todos ali. Crianças de olhos vidrados nas podres delícias, mães preocupadas com o feijão que ficou no fogo, pais levando o leite da família… Um menino com as mãos no ombro do irmão menor e uma nota de vinte apertada entre os dedos me lembrou que para alguns a responsablidade precisa começar muito cedo. Isso é tão bonito…

Da padaria para o açougue. O senhor que me atendeu tinha um sorriso fácil. E era tão sincero o sorriso, que, ao me entregar a carne, me deu também o calor que faltou hoje com a ausência do sol. Com o coração quente saí de lá pensando que uma hora ele, o sol, há de aparecer. Meu pai diz que não existe sábado sem sol (…domingo sem missa e segunda sem preguiça). Sempre acreditei  neles, no sol e no meu pai.

O sacolão é um mundo à parte. Os caixotes pintados, legumes, verduras e bacias eram de todas as cores – nesse tipo de sacolão se põe tudo primeiro na bacia e depois na sacola que o freguês leva, poupando o mundo de mais lixo. Saí de lá menos cinza.

E assim fui subindo a ladeira e a enxurrada descendo… Era o choro da rua.

Agora estou de volta. A casa silenciosa me dá a paz que preciso para ouvir Caetano cantantando a vida, ensinando que navegar é preciso, viver não.

Comentário(s):

Rute escreveu em 07/12/2009 @ 17:43

Olá passando por aqui para conhecer seu blog, parabéns pela postagem.
Espero sua visitinha no meu cantinho.
Beijinhos a vc e uma ótima semana

Jéssica escreveu em 07/12/2009 @ 21:48

Oi, flor! Tudo bem?
Achei seu blog incrível…
Estou visitando pela primeira vez e amei!
Encontrei você no blog da DriViaro “mãe, esposa…” Sabe qual é, né? rs
Desculpa, me enrolei um pouco pra explicar!
Bom, voltarei aqui coooom certeza…
Espero sua visita no meu cantinho!
BeijoOs, Fique com Deus!

Jéssica escreveu em 09/12/2009 @ 23:09

Querida, amei sua visita!
Suas palavras me deixaram super feliz…
Sempre que quiser apareça! Será muuuuito bem vinda!
E sempre estarei por aqui, viu?
Amei seu cantinho… (com certeza que estou te seguindo, né? rs)
BeijoOs amada, Fique com Deus!




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