Renascença
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Uma nova brisa chega mansa e entra pelas frestas da janela com os primeiros raios da manhã. É o anúncio de um tempo mais brando, sim, são as nuvens se dissipando para mostrar que acima tem azul e tem sol, um sol amarelo e quente.
É o pai guerreiro surgindo de trás da lua, cobrindo com seu manto de estrelas-guias o céu da noite. É o céu da noite se transformando em mapa diante dos olhos que se erguem. E nele cada ponto cintilante não é só coordenada, mas o próprio tesouro.
É porta que se abre, com sal grosso à esquerda de quem sai e caminho de flores à direita de quem entra. É tapete de rosas brancas, é atmosfera incensada, leve e perfumada. É benção de Sant’Ana para uma nova etapa que começa bem-aventurada. É chuva que cai na terra, é a lama, é a lama, é a vida que brota da lama.
É uma nova casa mental que se constrói de tijolinhos de barro, bem vermelhos e com cheiro de terra molhada.
É rosário de contas coloridas entre negros e calejados dedos. É “Bença, vô. Bença, vó”. É “Deus abençoa, filha”. É amém.
Amém.
E que assim seja.
19/07/2010 | Da Olivetti 73
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