A estrela de Emmanuel
Estrela Natal – Sérgio Perêre
Voa menino, voa
pra sua estrela natal
Voa menino, voa
por cima do temporal
Sei da saudade que sente do tempo, do coração
Vejo o lamento que mora na sua canção
Eu também tive um sonho que passou
Também sou feiticeiro e cantador
Eu também ouço histórias na voz do tambor
Voa menino, voa
pra sua estrela natal
Voa menino, voa
por cima do temporal
Sei dos seus sonhos perdidos nos olhos da mãe do luar
Conheço o amor infinito que deixou por lá
Eu também tive um rio que secou
Também sou guerreiro e sonhador
Eu também sei cantar pra não gritar de dor
Voa menino, voa
pra sua estrela natal
Voa menino, voa
por cima do temporal
Eu também tive um sonho que passou
Também sou feiticeiro e cantador
Eu também ouço histórias na voz do tambor
Eu também tive um rio que secou
Também sou guerreiro e sonhador
Eu também sei cantar pra não gritar de dor
Embora a razão diga que é meu dever puxar seus pés para o chão, minha alma insiste em cantar uma canção pra te fazer voar. Porque quero que você voe, voe alto, voe longe, pra bem longe da maldade.
Há em sua vida uma batalha, com tantas armas, culpas e dores herdadas, eu sei. Há tantas chagas no seu destino, tantas pedras sob seu caminhar, eu sei. Sei que vim aqui para curar-te. Vim para trazer-te um copo d’água fresca, uma folha de bálsamo, vim para “amaciar dureza”.
E se houve de tanto amar-te, hei também de cuidar-te, pois desconheço esse amor severo, responsável e maduro sobre o qual tanto me dizem.
Meu amor é diferente, é livre, aquele amor de todo dia, de toda hora, que se manifesta em qualquer lugar. É maçã-do-amor. Doce, bobo, barato, lúdico.
É um amor-criança, por isso, não me ensina o que dizer, quando dizer, porque dizer. Não ensina a educar-te, ao contrário, convida a brincar contigo somente.
Só me deixa abrir os braços e receber-te. Receber-te sempre e sempre bem. Amor “com H”, hospitaleiro e humilde. Um amor que tudo perdoa, tudo releva, tudo suporta e ainda brinca de roda. E que às vezes se vira contra mim, sim, mas jamais incita desejo de vingaça, jamais cogita recuar, pular do barco.
De onde vem esse amor, há mais tanto amor! Nem imaginas! Nem eu imagino! Há uma nascente abundante de amor, que se fez em algum ponto do espaço-tempo e desde então não mais parou de cavar leito, formar rio, desaguar oceano.
Tive certeza, é esse amor-menino que me segue! Ele que vem comigo, pendurado na barra da saia. É um menino seu, um menino meu, é você menino em mim.
Filho? Não sei se é. Irmão. Sei que é sangue do meu sangue e que, por algum motivo adormecido, te entendo quando ninguém mais entende e volto para te buscar quando todos decidiram partir.
Por esse amor eu perco o mundo e até me perco, mas não o perco de vista nem sob o mais violento temporal.
Porque esse amor nos leva a voar acima das nuvens, passando por cima de tudo, eu e você… Asa da minha asa.
16/08/2010 | Da Olivetti 73
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